Museu Nacional: mais um capítulo do golpe

Museu Nacional: mais um capítulo do golpe

Ontem (2), vivemos mais um capítulo de uma tragédia anunciada. O Museu Nacional do Rio de Janeiro, patrimônio histórico do nosso país, com um acervo de mais de 20 milhões de itens, pegou fogo. Fogo que é resultado de um política de desfinanciamento da universidade pública. O Museu, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), vinha agonizando como mais uma vítima do golpe que assolou o Brasil em 2016.

O mais antigo patrimônio histórico do país, fundado em 1818, sofreu cortes orçamentários que causaram imensa precariedade no seu funcionamento. O repasse feito pela UFRJ, que deveria ser de R$ 515 mil, foi apenas de R$ 300 mil nos últimos três anos. A situação anunciava a tragédia: o Museu já estava com setores diversos isolados, interditados para visitação, e os funcionários e funcionárias organizavam vaquinha virtual para pagar despesas.

“Para o país, é uma perda imensa. Aqui temos a nossa memória. Grande parte do processo de constituição da história moderna do Brasil passa pelo Museu Nacional. Este incêndio sangra o coração do país. A única forma que temos neste momento de trabalhar essa brutal perda é reconstruir. Creio que o Brasil tem que forjar um compromisso com a sociedade política, o governo federal, que tem meios para isso, para que haja orçamento, para que a universidade possa de fato reconstruir essa edificação e recuperar, dentro do que for possível, seu extraordinário acervo” declarou Roberto Leher, reitor da UFRJ, em entrevista à Agência Brasil.

A depender de quem apoiou o golpe e o congelamento de gastos sociais por 20 anos, a repercussão de absurdos como esse será feita de maneira despolitizada. Dirão que se trata de acaso, de descuido que não tem culpado, mas a verdade é que estamos presenciando, dia após dia, a concretização de um projeto de desmonte de um país que sonhava ser soberano. Ironicamente, o Museu constituído no período imperial, arde na mesma mão parasita de uma elite que parece ainda sair do século XIX.

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