Câmara aprova alterações em mapa de valores , IPTU e ITBI, com votos contrários de Pedro Tourinho

Câmara aprova alterações em mapa de valores , IPTU e ITBI, com votos contrários de Pedro Tourinho

Foram mais de quatro horas para que se encerrassem as duas sessões extraordinárias, chamadas com pouco mais de doze horas de antecedência, que votaram alterações (aumento) na cobrança de IPTU, sobre o Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e a Planta Genérica de Valores da Cidade, no dia de ontem (5). O vereador Pedro Tourinho (PT), participou das sessões 58 e 59, que votaram os Projetos de Lei Complementar 58/2017 e 60/2017, e o projeto de Lei Ordinária 298/2017 e deu voto contrário para as três propostas. Além dele, Marcelo Silva (PSD), Tenente Santini (PSD), Mariana Conti (PSOL), e Carlão do PT debateram criticamente os projetos do governo Jonas Donizette (PSB).

“Não sou contrário à revisão da Planta Genérica, por definição. Acho que a Planta Genérica deve ser reajustada mais frequentemente do que acontece. A última revisão havia sido no ano de 2005. A revisão, feita da maneira correta, do meu ponto de vista, pode garantir que um dos pressupostos de qualquer aplicação justa de tributação, que é a promoção da justiça social”, declarou Tourinho. “Há contextos, em determinadas regiões, em que há uma rápida valorização, um rápido acumulo de infraestrutura que gera uma imensa quantidade de riqueza, riqueza essa que pode ser redistribuída com o Poder Público, resultando em investimento em políticas públicas, por exemplo, ajudando outras regiões da cidade”, completa ele.

O descordo de Tourinho, segundo com o parlamentar, passa pelo modo de construção das propostas da administração. A comissão estabelecida para elaboração e discussão dos três Projetos votados em duas sessões extraordinárias, era composta por titulares da Secretaria de Finanças, Secretaria Municipal de Infraestrutura, Secretaria Municipal de Assuntos Jurídicos, Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo, Secretaria Municipal do Verde e do Desenvolvimento Sustentável, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo, Associação Regional de Habitação, Conselho Regional de Corretores de Imóveis, Associação de Engenheiros e Arquitetos de Campinas, Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis do Estado de São Paulo e do Sindicato da Indústria da Construção Civil. Para ele, há um vício de iniciativa na questão, já que na lista só há representantes do setor privado e de órgãos que fiscalizam o setor privado, faltando até mesmo a própria Secretaria de Habitação no grupo. O parlamentar afirma que a ausência mais importante, no entanto, é a dos movimento de habitação na cidade. Cooperativas, movimentos sociais e grupos organizados que lutam contra o imenso déficit habitacional que Campinas ostenta.

“A base se cálculo que será utilizada em algumas regiões está equivocada. Por que isso? Será porque espera-se que depois de algum tempo essa super tributação vai gerar pressões imobiliárias nesses locais, gerando a saída das pessoas? Se aumenta muito o tributo para uma região, você acaba induzindo que as pessoas procurem locais mais baratos pra morar. Essa é uma das possibilidades de vício de uma proposta discutida exclusivamente com o setor imobiliário”, alertou Tourinho.

O vereador também denunciou que os parâmetros estabelecidos para a cobrança de tributos é contrário à promoção de justiça social. Para ele, o princípio básico da administração é tratar os diferentes como diferentes. “No Swiss Park I, um condomínio de alto padrão, que deveria ter um valor razoável de cobrança de IPTU, o valor do metro quadrado de terreno por região fiscal é de 198 UFIC (Unidade Fiscal de Campinas), enquanto que no Jardim Itatinga o valor é muito próximo, 185 UFIC. Da mesma forma, regiões entre o Parque Jambeiro, Jardim Antonio Von Zuben e Chácara São Martinho, têm a cobrança de mesmo valor do Swiss Park. O morador do Jardim do Largo, por exemplo, vai pagar 206 UFIC, mais do que quem mora no Swiss Park”, comentou Tourinho.

Leis que foram alteradas

PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº 58/2017 – ALTERA DISPOSITIVOS DA LEI Nº 11.111, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2001, QUE DISPÕE SOBRE O IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE PREDIAL E TERRITORIAL URBANA – IPTU E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. O PLC faz diversas alterações na cobrança do Imposto Predial e Territorial urbano, entre elas a que possibilita a tributação dos imóveis pertencentes aos entes públicos e usados por terceiros para atividades privadas.

PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº 60/2017 – ALTERA DISPOSITIVOS DA LEI Nº 12.391, DE 20 DE OUTUBRO DE 2005, QUE DISPÕE SOBRE O IMPOSTO SOBRE A TRANSMISSÃO INTER VIVOS DE BENS IMÓVEIS E DE DIREITOS REAIS A ELES RELATIVOS – ITBI. O PLC altera as hipóteses de incidência, não-incidência, análise de preponderância para não incidência do imposto, sujeito passivo, base de cálculo pelo valor de referência, prazo de pagamento e valor das multas por descumprimento.

PROJETO DE LEI ORDINÁRIA Nº 298/2017 – APROVA A PLANTA GENÉRICA DE VALORES DO MUNICÍPIO DE CAMPINAS. O projeto tem entre seus objetivos incluir na atual Planta de Valores os imóveis cadastrados após a publicação da lei que aprovou a última PGV, bem como traz novos elementos para a metodologia de atribuição de valores para regiões específicas.

(Foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas)

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *
You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>